<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss'><id>tag:blogger.com,1999:blog-8057084</id><updated>2009-02-21T04:30:13.917-08:00</updated><title type='text'>Minicertezas</title><subtitle type='html'>Tá, era o único jeito de o Leandro escrever sobre ele mesmo e me deixar ler. Aí a curiosidade venceu a preguiça: topei montar o site.&lt;p&gt;

Na verdade, a internet foi o pretexto que encontrei para fazer a Paty publicar tudo o que pensa e só diz a quem tem o privilégio de ser seu melhor amigo – eu.&lt;p&gt;

Então fica assim, às segundas o Leandro revela os tais textos secretos.&lt;p&gt;

E, às quintas, a Paty comenta com você algo que ela já falou para mim.
</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://minicertezas.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://minicertezas.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default?start-index=26&amp;max-results=25'/><author><name>Minicertezas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702930388518627935</uri><email>noreply@blogger.com</email></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>99</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>25</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8057084.post-115032658356817885</id><published>2006-06-14T15:56:00.000-07:00</published><updated>2006-06-14T16:32:35.120-07:00</updated><title type='text'>Da minha conta</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Fiz o cálculo. Se eu viver até os 80 anos, o que pode ser considerado um bom índice de longevidade, já terei gasto (aproveitado? desperdiçado?) 32% da minha existência. Quase um terço, aos 26, veja só. E pensar que nem gosto de olhar as horas quando estou atrasado... &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt; O pior é que nem sei bem o que espero dos 68% restantes: o que quero da vida está para xis. Mais assombrosa ainda é idéia de posso nem viver tudo isso. Ou posso viver mais, vai. Bem mais. Há alguns meses, li uma entrevista de um cientista gringo/maluco que afirmava: confirmados todos os avanços científicos em andamento, quem tem hoje menos de 60 anos poderia chegar aos mil. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt; Isso mesmo: mil anos de idade, numa mesma encarnação. Imagino eu que, durante esse milênio de longevidade, novos tratamentos ainda mais surpeendentes viriam à tona - seria a morte da morte. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt; Mas, tá, ainda é cedo para acreditar no doutor eternidade aí. Pode ser que eu dê o braço a torcer no meu aniversário de 500 anos (desde que, claro, uma virtual artrite o permita). De volta à Terra, 80 anos são hoje uma estimativa razoável, otimista-realista. 80, então. Bem, 54 a partir daqui. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;O saldo é que, enquanto a gente se prepara, se decide, busca coragem... o tempo vai passando. Um dia você faz uma regrinha de três e, que susto, já se foram 32%. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt; Até aqui, sendo otimista-realista, eu só fiz uns 10% das coisas bacanas que pretendia. Estou com déficit de vida. De 22%. Matemática é uma ciência desumana... Mas e você: se 80 anos é tudo o que vai viver, o que se passou até agora está para quanto? Desculpa perguntar. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic;font-size:85%;" &gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Leandro Quintanilha&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;(leandroq@gmail.com)&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8057084-115032658356817885?l=minicertezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://minicertezas.blogspot.com/feeds/115032658356817885/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=8057084&amp;postID=115032658356817885' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/115032658356817885'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/115032658356817885'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://minicertezas.blogspot.com/2006/06/da-minha-conta.html' title='Da minha conta'/><author><name>Minicertezas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702930388518627935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='05053455817178222281'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8057084.post-114825400804155095</id><published>2006-05-21T16:23:00.000-07:00</published><updated>2006-05-22T16:11:07.396-07:00</updated><title type='text'>Crimes do tédio</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt;A primeira vez que soube sobre o boato foi justo ao ler, na internet, uma matéria que o desmentia. O texto da jornalista alertava o leitor para que não se deixasse assustar por e-mails urgentes, com seus pontos de exclamação e suas ordens em caixa alta para que fôssemos todos para casa. O crime organizado havia instaurado um toque de recolher à luz do dia. Hum-rum.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembro que li a reprodução do boato ligeiramente desapontado com a impossibilidade de acreditar. O texto era ruim. Mas não um ruim contextual, um ruim que dissimulasse pressa e medo, como convinha. Era um ruim exagerado, apelativo, desses que não escondem direito o desejo de manipular.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas tolo fui eu. Que menosprezei o desejo coletivo de se deixar enganar. Era segunda-feira à tarde, poxa. Todo mundo queria colaborar... E, assim, o tédio organizado cancelou os expedientes, interrompeu tudo que havia de inadiável e entupiu as ruas de carros. Diziam que era medo. Eu, que ainda não aprendi a brincar de adulto, nem me dei ao trabalho de me assustar. Sabe que até pensei em ir ao cinema?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Achei que seria alienação demais. Em minha defesa, preciso dizer que os noticiários e a ficção banalizaram as catástrofes. Era segunda-feira à tarde e, ah, um cineminha cairia tão bem. Quando teríamos essa oportunidade outra vez?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não, não tive coragem de assumir meu hedonismo infanto-juvenil em plena guerra civil (naquela altura, todo exagero era permitido) e decidi que seria socialmente mais aceitável locar um filme, o que poderia ser feito com discrição. No mais, os cinemas também fechariam logo-logo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao menos, eu compraria beirutes! Eu e meus mecanismos de autocompensação... De matar a fome eu tinha direito, certo? Só que, pertinho de casa, desisti também de passar na locadora. Foi acometido por aquela vergonha que de vez em quando a gente sente do que a gente mesmo vai pensar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo imune ao pânico, achando aquela intensidade revigorante, não dava para ignorar o fato de que o pretexto daquilo tudo era sério e triste.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Consciência inútil: fui agraciado com um telejornal que era um filme de ação dos bons. Vi comendo beirute. Não me julgue: era uma forma de estocar calorias, vai. E a cidade inteira era minha cúmplice. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Presos rebelados podem ser muito perigosos; o tédio, também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Leandro Quintanilha&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;(leandroq@gmail.com)&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8057084-114825400804155095?l=minicertezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://minicertezas.blogspot.com/feeds/114825400804155095/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=8057084&amp;postID=114825400804155095' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/114825400804155095'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/114825400804155095'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://minicertezas.blogspot.com/2006/05/crimes-do-tdio.html' title='Crimes do tédio'/><author><name>Minicertezas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702930388518627935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='05053455817178222281'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8057084.post-114662486622346447</id><published>2006-05-02T19:52:00.000-07:00</published><updated>2006-05-02T19:54:26.233-07:00</updated><title type='text'>O tempo certo</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Começou com uma dorzinha que ficou pior e me fez ficar no hospital uma tarde inteira. Duas vezes. Diagnóstico: gastrite nervosa. O médico disse que era de fundo emocional e, aí, mencionou a palavrinha mágica: ansiedade. Até então meus dias estavam uma loucura, cheios de prazos apertados no trabalho, textos da faculdade por ler, dúvidas de alunos para pesquisar, tudo acumulado na agenda - e na cabeça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi então que passei a olhar de perto os pequenos detalhes do dia-a-dia. No ônibus, sofro porque o relógio corre contra mim. Na rua, os passos são quase uma marcha atlética. Escovo os dentes andando pela casa, ao mesmo tempo em que arrumo as almofadas do sofá ou dou uma olhada nos e-mails. Faço uma coisa já pensando na seguinte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre ele, o tempo, que corre mais do que a gente. As horas ameaçam faltar, prometem uma catástrofe todos os dias, mas no final ela nunca acontece. Parece mágica. Ufa!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fico pensando se os compromissos nos provocam ansiedade ou se nós é que damos às tarefas uma aura de aflição. Naquela tarde que passei no hospital, ignorei todos os prazos do trabalho, não entreguei nada. Também faltei a aula em que decidiríamos os grupos de seminário. E para tudo eu dei um jeito depois. Se é assim, por que nos preocupamos tanto?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parece bobo, mas o que fazemos desse jeito, aflitos pela pressão do tempo, são pedacinhos de morte. Lapsos - duradouros às vezes - em que perdemos a perspectiva de que se está vivendo enquanto o dia passa. Desvinculamos essas horas de nossa própria existência, paramos de sentir o que acontece em cada minuto e encaramos tudo como tarefas a cumprir para depois ficar livre. E vivemos dos minutinhos que sobram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E nesta lista de obrigações diárias, transformamos o que nos dá prazer em mais um item a ser cumprido. Costumo ler os textos da faculdade em no máximo uma hora. Bem rapidinho antes de sair de casa. Um professor comentou que conhece uma pessoa que passou os últimos 14 anos lendo um único parágrafo. Ela tem mais tempo livre? Não. Só esqueceu essa história de tempo: esse tempo que a gente economiza ou gasta, que passa rápido ou demora a passar, esse tempo inventado pelo relógio. Adaptou-se como pôde, resistiu e aprendeu a viver sem ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para mim, ainda não dá. Mas vou por partes. Meus dias continuam apertados, cheios de prazos e trabalhos, mas, a partir de agora, eles se acumulam só na agenda.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Patrícia Pereira&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;em&gt;(&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="mailto:minicertezas@ibest.com.br"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;em&gt;minicertezas@ibest.com.br&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;em&gt;)&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8057084-114662486622346447?l=minicertezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://minicertezas.blogspot.com/feeds/114662486622346447/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=8057084&amp;postID=114662486622346447' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/114662486622346447'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/114662486622346447'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://minicertezas.blogspot.com/2006/05/o-tempo-certo.html' title='O tempo certo'/><author><name>Minicertezas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702930388518627935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='05053455817178222281'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8057084.post-114584877622952580</id><published>2006-04-23T20:17:00.000-07:00</published><updated>2006-04-23T20:28:03.126-07:00</updated><title type='text'>Por fazer</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt;A minha barba rala já havia completado seu segundo milímetro quando começou o feriado prolongado. Justo quando a última limpeza do apartamento fazia seu aniversário semanal. No blog, uma crônica antiga ostentava os mesmos dois comentários há uns quinze dias. O passado e o seu rastro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No meu guarda-roupa, havia uma pilha de camisetas deixadas para depois. Depois variados. Lavo depois, passo depois, dôo aos mais pobres depois, penduro no cabide depois. Armários e dispensas são o inconsciente do lar – quando acha que está “sem tempo”, a gente põe o entulho para dentro e fecha porta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A semana terminou, mais curta, deixando suas pendências - móveis empoeirados e barba por fazer. E eu me tranquei do lado de fora, como se não fosse comigo. Mas era. O desleixo é uma liberdade precária, corroída devagarinho pelo desânimo. Fui me cansando do cansaço, sabe?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Feriados prolongados nos destituem da velha desculpa de não ter tempo. Porque não ter tempo é um eufemismo para não ter saco. Na maior parte do tempo, vai. Bem, eu fiz a barba – e não é que fico melhor mesmo de cara lisa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Arrumei o guarda-roupa, lavei a louça, passei uma vassoura no chão. Aí, com a casa arrumada e limpa, a gente resolveu convidar os amigos. No dia seguinte, fomos ao parque. Eu até andei de patins!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, cá estou. Escrevendo a crônica, enfim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem, a minha teoria é que pequenos cuidados fazem diferença. A gente começa a ser feliz lavando a louça. Vou tentar me lembrar disso de manhã, quando, na correria do atraso sonolento, eu cogitar deixar para fazer a barba só no dia seguinte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Leandro Quintanilha&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;(leandroq@gmail.com)&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8057084-114584877622952580?l=minicertezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://minicertezas.blogspot.com/feeds/114584877622952580/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=8057084&amp;postID=114584877622952580' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/114584877622952580'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/114584877622952580'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://minicertezas.blogspot.com/2006/04/por-fazer.html' title='Por fazer'/><author><name>Minicertezas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702930388518627935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='05053455817178222281'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8057084.post-114470934441947823</id><published>2006-04-10T15:46:00.000-07:00</published><updated>2006-04-10T16:39:12.786-07:00</updated><title type='text'>Temas para a vida</title><content type='html'>&lt;span style=";font-family:arial;font-size:100%;"  &gt;Cada um tem seu acervo pessoal de temas. Causas. É preciso alguma intimidade com alguém para se conhecer suas grandes questões. Ou pequenas, importantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os meus temas de cabeceira, todos, já renderam crônicas. Por isso, quando me flagro sem idéias para textos, estou, ao mesmo tempo, sem grandes causas (ou pequenas, razoáveis) para a vida. Inéditas, ao menos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eis os meus teminhas de sempre: a ditadura do trabalho, o ócio criativo e afins; o mito do amor romântico, autonomia emocional e afins; desafios do convívio social, a tirania da maioria e afins; entrelinhas comportamentais, padrões psicológicos, mecanismos de compensação e afins.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pronto, esgotei-me.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os 'afins' são ótimos para falar mais ou menos a mesma coisa sem me sentir tão repetitivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, ah, claro, um dos temas mais recorrentes dos meus textos acaba sendo... a minha vida. Bem, não chega a ser um tema (embora seja uma causa - uma boa causa, vai), mas um meio de se falar sobre os meus assuntinhos. Uma deixa. Isso, cronicamente, a minha vida é uma deixa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As teses de cada um são um meio de contato com o mundo e com o outro. Chamamos uma causa em comum de afinidade - ainda que seja apertar o tubo de creme dental por baixo. Só que, quanto mais importante a tese compartilhada, maior a identificação. Eu votei contra a posse de armas no plebiscito, e você?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bobagem se exaltar: algumas discordâncias são perecíveis. É uma delícia quando nos identificamos com um tema que até então não era nosso. Nada mais sedutor que um bom argumento - você expande seu acervo de causas, se renova e estabelece uma nova sintonia com alguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Melhor que isso só quando é você o 'transmissor' da tese. Contato estabelecido ativamente. Por isso, tanta gente fica obcecada em provar que está certa. Rota de fuga da solidão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas ansiedade só atrapalha. Se a identificação não é espontânea, besteira falar mais alto. Só restam duas estratégias, bem mais interessantes até: a persuasão e a conquista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic;"&gt;Leandro Quintanilha&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;(leandroq@gmail.com)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8057084-114470934441947823?l=minicertezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://minicertezas.blogspot.com/feeds/114470934441947823/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=8057084&amp;postID=114470934441947823' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/114470934441947823'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/114470934441947823'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://minicertezas.blogspot.com/2006/04/temas-para-vida.html' title='Temas para a vida'/><author><name>Minicertezas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702930388518627935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='05053455817178222281'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8057084.post-114384406991580075</id><published>2006-03-31T14:26:00.000-08:00</published><updated>2006-03-31T14:42:16.163-08:00</updated><title type='text'>Pequenas causas</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Os parisienses protestavam contra a publicidade no metrô. Passeata, faixas, gritos de combate, tal como nos manifestamos aqui por aumento de salário ou contra a corrupção. Fiquei com um sentimento dúbio, de admiração e revolta. Puxa, que sociedade sofisticada. Sem grandes tragédias sociais, resta brigar contra sutilezas de imperfeição. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt; Sim, a vida pode ficar melhor sem os cartazes do McDonald's. É mesmo lindo o minimalismo das paredes nuas. Especialmente no metrô, roteiro de ida e volta de todos os dias. Poluição visual é poluição do cotidiano. Da vida. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt; Mas, ei, e o resto do mundo? Que tal uma manifestação contra o trabalho infantil na América do Sul? A mutilação feminina na África. Ora, o metrô de Paris é um dos melhores do mundo. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt; Há de se estabelecer prioridades. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt; Por outro lado, oui, eu apoio o direito de se protestar por pequenas causas. O detalhe pode comprometer o todo, repare. Que fique registrado, por exemplo, o meu protesto contra pessoas que fumam na escada rolante. Horrível. O resto do refrigerante que não enche um copo. Protesto contra o sinal de telefone ocupado. E também contra quem inadvertidamente me telefona quando eu estou ocupado. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Convoco as pessoas para irem às ruas, caminhando e cantando, contra a rinite. Os plantões de fim de semana. O ônibus que demora a passar. Contra os créditos do celular que acabam antes que se ouça o recado. Protesto contra as diferenças culturais dos dois ou três beijinhos - fico confuso. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt; O gelo seco: quem inventou que é bacana? Chegar uma hora antes do embarque, tenho mais o que fazer. Protesto contra entrar à noite no hotel e a diária vencer ao meio-dia. Contra o controle remoto do vídeo que muda o canal da tevê. Protesto! Legendas brancas, que somem sempre que há uma parede clara nos cenário. Derrr.. Ninguém pensou nisso?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Pensando melhor, nada de sentimentos dúbios. Os parisienses são geniais. Para eles, meus sinceros votos de paz, amor e fita adesiva que não descola. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-size:85%;" &gt;&lt;span style="font-weight: bold;font-family:arial;" &gt; Leandro Quintanilha&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt; (&lt;/span&gt;&lt;a style="font-family: arial;" href="mailto:leandroq@gmail.com" target="_blank" onclick="return top.js.OpenExtLink(window,event,this)"&gt;leandroq@gmail.com&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;)&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8057084-114384406991580075?l=minicertezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://minicertezas.blogspot.com/feeds/114384406991580075/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=8057084&amp;postID=114384406991580075' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/114384406991580075'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/114384406991580075'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://minicertezas.blogspot.com/2006/03/pequenas-causas.html' title='Pequenas causas'/><author><name>Minicertezas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702930388518627935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='05053455817178222281'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8057084.post-114237217158922691</id><published>2006-03-14T13:34:00.000-08:00</published><updated>2006-03-14T13:40:45.696-08:00</updated><title type='text'>Piloto problemático</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Era como se meu corpo já conhecesse todos os caminhos e fizesse tudo sozinho, sem mim. O corpo ia para o trabalho mais ou menos ao meio-dia e ficava lá até começar o Jornal Nacional. Piloto automático é quase a mesma coisa que piloto ausente, não? Pois é, eu era o piloto automático, ausente, piloto nenhum. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt; O corpo cuidava do trajeto, solitário. Eu o atrasava com meus dramas vez ou outra, mas, na maior parte do tempo, ele seguia pontual e independente. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Eu estava cansado da rotina. Cansado de ser piloto nenhum de um corpo atarefado. Até que, de repente, me demitiram. O corpo, coitado, ficou sem saber para onde ir. Eu ensaiei alguma solidariedade, mas ri por dentro. E por fora, usando-o, feliz por assumir o controle. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt; A partir de então, ele me levaria aonde eu quisesse. Nada de itinerários habituais. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Decidi que trabalharia em casa, mesmo que o corpo às vezes teimasse em seguir em direção à porta. Tudo bem, porque o novo estilo de vida requeria mesmo uma série de iniciativas, contatos. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt; E lá fomos, o corpo e eu, fazer tudo o que era necessário. Enquanto corríamos de um lado para o outro, checávamos e-mail compulsivamente, escutávamos campainhas telefônicas imaginárias, que surpresa - tudo o que eu queria era saber logo se nosso empenho daria certo. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt; Tá, eu queria uma rotina. Uma vida para chamar de minha. Um mínimo de previsibilidade. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Aos poucos, isso começou a acontecer. Trabalho depois de trabalho, como se tivessem sido encadeados seqüencialmente. Que bom para a contabilidade. Enfim, uma rotina. No melhor sentido da palavra (existe um!). Eu acordava e sabia o que tinha de fazer. Sem ser levado nem ter de inventar destinos. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt; Até que surgiu uma proposta de trabalho fixo... E cá estou novamente sem saber como a minha vida vai ser. Em algumas semanas, as coisas se organizam, eu sei, mas como eu organizo os meus pensamentos até lá? &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt; Difícil aceitar pendências quando se tem pressa de viver para valer. Como se houvesse um "de vez". &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt; A rotina é a morada da existência. Um lar para descansar a alma e a atenção. Eu me sinto desabrigado agora. Percebi que sou um nômade esporádico. Estrategista. Por hora, quero pegar carona no meu corpo, só mais um pouquinho, outra vez. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic;font-size:85%;" &gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Leandro Quintanilha&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;(leandroq@gmail.com)&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8057084-114237217158922691?l=minicertezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://minicertezas.blogspot.com/feeds/114237217158922691/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=8057084&amp;postID=114237217158922691' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/114237217158922691'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/114237217158922691'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://minicertezas.blogspot.com/2006/03/piloto-problemtico.html' title='Piloto problemático'/><author><name>Minicertezas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702930388518627935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='05053455817178222281'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8057084.post-114075331141714946</id><published>2006-02-23T19:51:00.000-08:00</published><updated>2006-02-23T19:55:11.430-08:00</updated><title type='text'>Sem pensar</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt;De malas prontas para passar o feriado em Boa Esperança, uma cidadezinha no interior de Minas, comecei a pensar em outros carnavais que passei por lá. E foram muitos. Meus avós nasceram na cidade e, quando pequena, a família inteira aproveitava qualquer folguinha para ir a &lt;i&gt;Good Hope&lt;/i&gt;, como apelidou um tio. Hoje, as raízes são apenas um pretexto, os parentes próximos não existem mais, mas continuamos indo, puro hábito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E grande parte de nossos dias vivemos assim, levados por hábito. Às vezes é bom, como ir a Boa Esperança. Mas, fazendo as malas para uma viagem que escolhi, parei para pensar nas situações embaraçosas que já vivi por seguir a escolha dos outros. Uma delas foi no Carnaval - adivinhem onde? Pois é. Toda a família em Boa Esperança, festa na rua, e um dos pais (deve ter sido minha mãe) teve a genial idéia de fazer um bloco das primas. Virei Jane, com direito a presilha de osso no cabelo e vestido rajado à la Pedrita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo bem se eu gostasse, mas sempre odiei Carnaval e aqueles adereços todos. Mas, como todo mundo ia, acabei achando que o normal era ir. É difícil ir contra o fluxo. Que atire a primeira pedra a mulher que gosta de andar de salto alto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Somos coagidos na maior parte do tempo. Quase sempre agimos do mesmo modo como se comporta a maioria e, pasmem, nem percebemos isso. Comecei a fazer uma listinha de situações assim e a página se encheu em um instante. Por exemplo, não gosto dessa coisa ‘mulherzinha’ de ir ao banheiro em dupla - ou em bando. Se uma vai, logo chama a outra. E, quando essa outra sou eu, ai, ai, ai...Que graça pode existir em ficar parada entre torneiras e pias esperando alguém fazer xixi? Mas eu vou, todo mundo sempre vai, não seria eu a antipática.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando era criança, todas as minhas amigas gostavam de um grupo chamado Dominó. Eu achava aqueles garotos tão bobos! E elas tinham discos, pôsteres, sabiam tudo sobre eles. Era uma febre. E não é que com o tempo eu fui me acostumando. Era isso ou não participar das conversas. E assim somos levados pelas pequenas multidões de nosso convívio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso tudo me veio à cabeça porque em Boa Esperança, bem no centro da cidade, tem um lago enorme, uma delícia para nadar. Só que passei a adolescência inteira sem molhar nem um dedinho nele. É que as pessoas de lá costumam dizer que nadar no lago é uma breguice sem tamanho, “coisa de pobre”. Estou ansiosa para quebrar esse hábito.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Patrícia Pereira&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;(&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="mailto:minicertezas@ibest.com.br"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;minicertezas@ibest.com.br&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;)&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8057084-114075331141714946?l=minicertezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://minicertezas.blogspot.com/feeds/114075331141714946/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=8057084&amp;postID=114075331141714946' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/114075331141714946'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/114075331141714946'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://minicertezas.blogspot.com/2006/02/sem-pensar.html' title='Sem pensar'/><author><name>Minicertezas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702930388518627935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='05053455817178222281'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8057084.post-114053235415906232</id><published>2006-02-21T06:30:00.000-08:00</published><updated>2006-02-21T06:47:30.763-08:00</updated><title type='text'>Recomeços</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Fiz uma matéria certa vez sobre promessas de Ano Novo, planos para segunda-feira, resoluções para mudar de vida, essas listinhas de bons hábitos a adotar e vícios a abandonar que as pessoas se propõem em momentos de agora chega.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu mesmo tenho a minha listinha de afazeres (e autoproibições). Nada muito sofisticado, metas corriqueiras que já estou farto de formular para mim mesmo. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;Praticar atividade física quatro vezes por semana. Lavar os pratos assim que sujá-los. Ler e escrever todos os dias. Não repetir a sobremesa. Ir para cama no máximo à meia-noite. Acordar às oito. Fazer a barba todos os dias, de manhã. Telefonar para meus pais antes que eles tomem a iniciativa de me ligar. Encontrar um trabalho voluntário. Usar com parcimônia o programa de bate-papo. Talvez não usá-lo mais... Limpar a casa antes do fim de semana. Passar filtro solar todos os dias. Sair ao sol todos os dias. Passar a roupa assim que a recolher do varal. Não sucumbir à ansiedade. Manter o armário organizado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E tento fazer – ou deixar de fazer – tudo isso de uma vez por todas, todas as vezes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os especialistas que entrevistei não me deram muitas esperanças. Essas listas são invariavelmente falíveis, porque as pessoas são invariavelmente falíveis. Mas é variável o grau de falibilidade. Porque as pessoas, falíveis, são variáveis. Variam umas em relação às outras. E em relação a si mesmas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu simpatizo com o existencialismo e a idéia da responsabilidade que cada um precisa assumir sobre a própria vida. Por isso, me apego tanto à minha listinha. Meus afazeres queridos, minhas proibições estimadas. Estariam todos, a princípio, a meu alcance.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não posso me tornar mais alto, mas fazer a barba todos os dias, sim, está sob o meu controle. Não sou presidente de nada, mas posso tranqüilamente dar aulas de redação num cursinho comunitário. A minha listinha só depende de mim. Ótimo não precisar que outras pessoas tomem as iniciativas. Péssimo eu ter de tomar todas as iniciativas sozinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os especialistas não foram de todo pessimistas. Já que a falha é normal e previsível, a grande dica é aprender a recomeçar depois cada recaída. Eu incluí de pronto esse novo item na minha listinha. Falhei. Agora, só preciso recomeçar a recomeçar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Leandro Quintanilha&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;(&lt;/span&gt;&lt;a href="mailto:leandroq@gmail.com"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;leandroq@gmail.com&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8057084-114053235415906232?l=minicertezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://minicertezas.blogspot.com/feeds/114053235415906232/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=8057084&amp;postID=114053235415906232' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/114053235415906232'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/114053235415906232'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://minicertezas.blogspot.com/2006/02/recomeos.html' title='Recomeços'/><author><name>Minicertezas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702930388518627935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='05053455817178222281'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8057084.post-113960511302831658</id><published>2006-02-10T12:53:00.000-08:00</published><updated>2006-02-10T12:58:33.040-08:00</updated><title type='text'>Rodinha na calçada</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Não é frase clichê: minha família é muito unida. Dessas em que filhos, netos e bisnetos se encontram todas as noites na casa da avó. Quando criança, almoçávamos juntos aos domingos, mas aí a vó Edna (aquela que descobriu as bijouterias aos 83 anos) ficou doente e os tios decidiram pôr fim a esse costume. Cada um em sua casa. As crianças fizeram até passeata, com cartazes de protesto e batuque improvisado em tampas de panela para que os almoços voltassem, mas não deu certo. Eu devia ter uns 12 anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A doença passou, os almoços não voltaram, mas continuamos todos lá, na casa de minha avó ao cair da tarde. De segunda a segunda. A vizinhança nos conhece pelo hábito de colocarmos cadeiras na calçada e ficarmos horas a fio conversando à toa. Começa com duas ou três pessoas e, em certos dias, passam de vinte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que a gente faz ali? Nada. Nos encontramos para falar dos assuntos mais bestas, chupar geladinho ou comer pipoca com café - assim mesmo, no meio da rua. Ali descobrimos que uma prima conseguiu um emprego novo ou que brigou com a chefe. Discutimos se um tio deve ou não deve comprar um triciclo. Se é hora de uma sobrinha ter filho ou não. Costumamos dizer que um namoro na família só se torna oficial quando o pretendente participa da ‘rodinha’. Caso contrário, ele não passa de um ficante qualquer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aliás, é assim que chamamos essa reunião na calçada: ‘rodinha da casa da vó’. Cada um dá seu palpite na vida alheia (ops, na vida dos familiares e dos conhecidos também). Minhas amigas dizem que é o jornal da tarde. Pura ironia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só que a cidade foi ficando pequena para nossas pretensões. Alguns netos (como eu) foram estudar fora, outros se casaram e se mudaram para outro estado e até outro país. A rodinha continua lá, firme e forte. E quem está longe se coça de curiosidade para saber o que andam dizendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, essa tal de internet. Outro dia tivemos a idéia de criar no Orkut a comunidade ‘Rodinha da casa da vó online’, uma versão virtual da que ocorre na calçada. Deu muito certo. Já somos 16 os membros e discutimos tópicos da mais alta importância na família: se Théo (nome cotado para meu sobrinho que vai nascer em julho) é ou não é só um apelido, se o filho de minha prima que mora nos EUA deve ser brasileiro ou americano quando nascer (ela nem está grávida), quantos passarinhos tem na casa do neto mais velho (o Diovane, eu chutei 35). E essas coisas todas, que parecem besteira, mas que são o pretexto para estarmos juntos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A rodinha online já é meu novo vício.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Patrícia Pereira&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;(&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="mailto:minicertezas@ibest.com.br"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;minicertezas@ibest.com.br&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;)&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8057084-113960511302831658?l=minicertezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://minicertezas.blogspot.com/feeds/113960511302831658/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=8057084&amp;postID=113960511302831658' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/113960511302831658'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/113960511302831658'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://minicertezas.blogspot.com/2006/02/rodinha-na-calada.html' title='Rodinha na calçada'/><author><name>Minicertezas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702930388518627935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='05053455817178222281'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8057084.post-113937197365246848</id><published>2006-02-07T20:10:00.000-08:00</published><updated>2006-02-07T20:18:24.763-08:00</updated><title type='text'>Emergências</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Virou anedota na família a noite em que minha mãe acordou meu irmão no sofá da sala para que ele fosse dormir no quarto. Normal até aí, não tivesse ela o acompanhado até a cama, falante, divagando sobre o prazer de se fazer as coisas de que se tem vontade na hora em que a vontade bate. Como ter sono e poder dormir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas ela tinha uma longa lista de exemplos, como sentir vontade fazer xixi e ir ao banheiro, ficar com fome e comer lasanha, procurar o controle remoto e achá-lo debaixo da primeira almofada... Meu irmão, coitado, bêbado de sono, precisava levantar as sobrancelhas para manter as pálpebras abertas, enquanto a mamãe, sentada à beira da cama, prosseguia com a sua filosofia. “E dormir quando a gente tá com sono, né, mãe?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho que seria um privilégio ter um desejo realizado assim que bate a vontade. Ah, isso seria o instante perfeito. Sem o trabalho árduo da conquista, sem o medo de não conseguir. Simplesmente, puft, desejo realizado. Mas dizem que o prazer da vitória é maior quanto mais longa a jornada. Lembro-me do verso daquela música que remete a um orgasmo: “Quanto mais tempo demora, mais violento vem.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tá, isso vale para orgasmos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O problema é que, às vezes, se demora demais, a vontade passa. Ou vira outra coisa. Sono vira mau-humor, fome vira dor de cabeça. Tesão passa. Solidão também. Tenho uma amiga para quem é difícil namorar, porque o interesse pelos pretendentes passa muito rápido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma vez, bateu a vontade de ver um cara aí. Ela então o convidou para uma visita. Mas o rapaz demorou. Quando a campainha tocou, que aflição. Foi só olhar para a cara dele e constatar: agora a vontade era outra, 20 páginas de Garcia Márquez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo isso me lembra aquelas frases feitas de agenda juvenil. “Cuidado com o que deseja – você pode conseguir!” (Ainda que demore, né? Eu voto pelo direito de mudar de opinião.) Ou: “O importante não é ter tudo o que deseja, mas desejar tudo o que possui.” Hum-rum. E mais aquela, clássica: “O ser humano é um eterno insatisfeito.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sinto vontade de expressar a minha discordância. Eu discordo. Acho que vontade é uma coisa difícil de controlar. Culpemos o inconsciente. E a realidade pode ser mesmo, muitas vezes, irremediavelmente insatisfatória. Pronto, saciei meu desejo no ato. O instante perfeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, neste exato agora, o que eu queria mesmo era sorvete de creme com granola.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Leandro Quintanilha&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;(&lt;/span&gt;&lt;a href="mailto:leandroq@gmail.com"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;leandroq@gmail.com&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;)&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8057084-113937197365246848?l=minicertezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://minicertezas.blogspot.com/feeds/113937197365246848/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=8057084&amp;postID=113937197365246848' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/113937197365246848'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/113937197365246848'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://minicertezas.blogspot.com/2006/02/emergncias.html' title='Emergências'/><author><name>Minicertezas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702930388518627935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='05053455817178222281'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8057084.post-113867506944304126</id><published>2006-01-30T18:19:00.000-08:00</published><updated>2006-02-02T21:30:03.873-08:00</updated><title type='text'>Idealização</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Meu eu ideal sabe contar piadas sem rir ele mesmo. Consegue passar diante de um espelho sem ajeitar o cabelo. É capaz de dar a melhor resposta no ato, não se exaure em diálogos imaginários, tardios. Meu eu ideal não esquece as palavras. Não se confunde, não gagueja, não se repete.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele aprecia a própria companhia sempre que com ela se depara. Eu disse sempre. E não se deixa ameaçar pela solidão alheia. Sabe dizer não sem sentir culpa. Sabe dizer sim sem se sentir impotente. Meu eu ideal faz trabalho voluntário e não conta para ninguém. Olha nos olhos, presta atenção no que dizem. Não se deixa perder na ansiedade dos próprios pensamentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu eu ideal tem boa mira e não se intimida quando o assunto é futebol. Sabe se comportar em festas de família, festas de trabalho, festas de gente desconhecida. Não tem medo que descubram o que ele não leu, não viu, não entendeu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele não se descobre sem idéias no meio de um problema. Não se deixa abater. Não se deixa irritar. Reivindica seus direitos sem sentir vontade de chorar. Meu eu ideal não diz (nem silencia) algo de que vai se arrepender.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu eu ideal não se deixa levar pelo turbilhão. Não quer provar nada a ninguém, não precisa de aval. De justificativa. Não faz hora extra, porque simplesmente não suporta e o mundo precisa entender. Não quer vencer na vida, não quer vencer ninguém - acha que nada de fato importante tem a ver com disputa. Não segue o mapinha do sonho dos outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu eu ideal não precisa ser brilhante, não precisa ser perfeito. Porque é corajoso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca tem insônia, taquicardia. Não sente medo do tempo, das contas, de grandes tragédias, de doenças degenerativas, de nunca desvendar o mistério. Ou de o enigma, desfeito, ser decepcionante. Meu eu ideal não tem medo de chegar ao fim da vida desavisado, sem ser tudo o que poderia ter sido. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Ainda aprendo com ele.&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Leandro Quintanilha&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;(&lt;/span&gt;&lt;a href="mailto:leandroq@gmail.com"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;leandroq@gmail.com&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;)&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8057084-113867506944304126?l=minicertezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://minicertezas.blogspot.com/feeds/113867506944304126/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=8057084&amp;postID=113867506944304126' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/113867506944304126'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/113867506944304126'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://minicertezas.blogspot.com/2006/01/idealizao.html' title='Idealização'/><author><name>Minicertezas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702930388518627935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='05053455817178222281'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8057084.post-113759502053168729</id><published>2006-01-18T06:35:00.000-08:00</published><updated>2006-01-18T06:37:00.543-08:00</updated><title type='text'>Limonada</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Cheguei para trabalhar, apressado, como num dia qualquer. E, mal liguei o computador, uma conversa séria: fui demitido, sem justa causa. O problema não era comigo, parecia término de namoro. O problema não era comigo e virou problema meu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resumi assim, porque já contei essa história um zilhão de vezes, como quem quebra um braço e tem de explicar o gesso. Quando se é demitido assim de repente, a cabeça vai a mil. Especialmente, no começo do expediente. Saí do jornal com duas grandes dúvidas: o que faria da minha vida e, ainda não era uma hora, o que faria do meu dia. Um cineminha talvez?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No elevador, reparei que usava a mesma camisa azul claro, xadrezinha, do dia em que tirei a foto para o crachá, dois anos antes. Achei graça (sei que não era o momento): estava com o figurino ideal para encerrar um ciclo. Ah, se eu acreditasse em destino...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como não acredito, a camisa repetida, claro, não deu sentido a tudo, não. Ainda havia o aluguel e eu não sabia como faria uma limonada do ocorrido. O tempo passou e comecei a estranhar o fato de não ficar triste. Difícil sofrer quando se está ‘de folga’ e recebe tantos abraços, afagos, e-mails, telefonemas. Demissão parece aniversário, comentei com alguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O presente é a liberdade. Eu estava num turbilhão de obrigações, expedientes, escalas, plantões. Não sabia como escaparia daquela rotina, um dia. O mundo lá fora eu via por brechas de férias e feriados, cronometrados. Num dia qualquer, num dia de trabalho, a liberdade me foi entregue num envelope pardo. E o problema não era comigo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também é difícil aceitar que você está potencialmente mais pobre quando a grana da rescisão é muito maior do que estava acostumado a receber. Demitidos ganham bem. O melhor emprego do mundo seria o de demitido com vínculo empregatício...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do jeito que está, é como se eu estivesse de férias - só que com medo. Agora, tenho responsabilidade sobre as minhas próprias horas, o que seria simplesmente perfeito, se elas não tivessem se transformado em máquinas de gerar contas. Ao menos, passam mais devagar. Devagar até demais para quem ainda não se libertou do vício da ocupação. Ainda são poucos os dias de vida nova e meus tênis nunca estiveram tão limpos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que dói mesmo é ter tantas pessoas queridas arrancadas subitamente do meu convívio. É uma espécie de morte, sabe? O nó na garganta só se desfaz quando me lembro de que, para esse tipo específico de morte, não é preciso ser médium para fazer uma visita. Ou receber.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A rotina engana com a sua pseudopermanência. Às vezes, ela muda aos pouquinhos e a gente nem nota. Em outras, muda tão de repente que assusta antes de revelar a possibilidade de ficar melhor. Por isso, eu me apresso em esquecer o medo e adivinhar alguma alegria. Como no final da tarde daquele mesmo dia em que fui demitido: dois amigos e eu fizemos uma festinha improvisada, ao clima de ‘tudo vai dar certo’, com pão italiano e requeijão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho que vai mesmo. Estou seguro de que sou um funcionário insubstituível da minha própria vida. E, se ela me dá um limão, ah, eu faço uma crônica. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Leandro Quintanilha&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;(&lt;/span&gt;&lt;a href="mailto:leandroq@gmail.com"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;leandroq@gmail.com&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;)&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8057084-113759502053168729?l=minicertezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://minicertezas.blogspot.com/feeds/113759502053168729/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=8057084&amp;postID=113759502053168729' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/113759502053168729'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/113759502053168729'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://minicertezas.blogspot.com/2006/01/limonada.html' title='Limonada'/><author><name>Minicertezas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702930388518627935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='05053455817178222281'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8057084.post-113708752221146275</id><published>2006-01-12T09:35:00.000-08:00</published><updated>2006-01-12T09:44:32.570-08:00</updated><title type='text'>A velha vida nova</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;font-size:100%;"&gt;Comecei o ano cheia de planos. Esses de vida nova que, se existem, é porque fizemos tudo errado nos meses anteriores. Por garantia (não confio muito no meu poder de disciplina) pulei sete ondinhas à meia-noite e fiz um pedido, arrastando mais dois amigos para a simpatia. Quem sabe iemanjá não resolve tomar por mim as rédeas da vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dos planos era caminhar todos os dias. E já estamos no dia 12 (13, 14...). Mas eu explico, ou justifico, essa quebra de promessa tão prematura. Os imprevistos, eles são sempre os vilões. Tive de fazer a segunda fase da Fuvest (calma, calma, isso estava no calendário, sei que não serve como desculpa) e apesar de ter me organizado para só estudar nesse início de 2006 até que passassem as malditas provas, aconteceu o contrário: foi a época em que tive mais trabalho. Corta horas daqui, busca paciência ali. E o tempo que me faltou foi retirado da caminhada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E os poucos dias de 2006 já sabotaram algumas das promessas de ano novo. A idéia era começar logo uma reeducação alimentar - estava no pacote ‘ficar magra, com pele boa e sem queda de cabelos”. Mas aí entrevistei um bando de psiquiatras para uma matéria de comportamento e saí dessa maratona muito bem-resolvida. Que dieta que nada. Mais vale uma terapia, nem que seja por tabela, como definiu meu companheiro de blog.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um terceiro plano era não usar minha vida pessoal e rotineira como tema aqui no blog. Desde o início, sei que o propósito do Mini não é ser um diário. Mas aí esse plano se chocou com um quarto: o de não atrasar mais os textos e atualizar o Mini no dia certo. Um paradoxo - como escrever se não sei sobre o que e se nos últimos dias só convivi com meu umbigo, resumi o mundo em minha rotina?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ué, será que eu faço isso o tempo todo? Só eu tenho essa deficiência ou alguém aí consegue observar o mundo por um ponto de vista fora de si? Preciso encontrar a tática de me deparar com esses temas. Um mistério que quase empata com aquele outro, terror dos jornalistas: ‘de onde vem a pauta?’. Alguém aí explica? Nunca aprendi na faculdade e nem no jornal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto não soluciono o problema e consigo um tema por semana para publicar aqui, aceitei esses parágrafos, recheados de referências pessoais mesmo. É que o Leandro me intimou a escrever, ainda que o tema do texto fosse não ter tema, mas aí chegamos à conclusão de que qualquer amontoado de frases seria melhor do que esse escapismo temático, já tão batido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hummm...dá tempo de trocar meu pedido a iemanjá? Eu juro que pulo outras sete ondinhas. É que em 2006 continuei sendo a mesma Patrícia e é por isso que tudo está resistindo tanto em mudar.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Patrícia Pereira&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;(&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="mailto:minicertezas@ibest.com.br"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;minicertezas@ibest.com.br&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;)&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8057084-113708752221146275?l=minicertezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://minicertezas.blogspot.com/feeds/113708752221146275/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=8057084&amp;postID=113708752221146275' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/113708752221146275'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/113708752221146275'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://minicertezas.blogspot.com/2006/01/velha-vida-nova.html' title='A velha vida nova'/><author><name>Minicertezas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702930388518627935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='05053455817178222281'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8057084.post-113677341994135180</id><published>2006-01-08T18:21:00.000-08:00</published><updated>2006-01-08T18:42:25.396-08:00</updated><title type='text'>Jornalismo doentio</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Fui advertido no primeiro dia: jornalistas que escrevem sobre saúde tendem a ficar hipocondríacos. Porque quem cobre saúde escreve, paradoxalmente, sobre a falta dela. Vírus, tumores, traumas, síndromes, disfunções e outros temas para uma rica inspiração profissional. Ou um vertiginoso declínio físico/mental, por auto-sugestão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Grande bobagem, pensei. Coisa de gente influenciável. Afinal, não há nenhum indício de que colegas da editoria policial passem a apresentar, numa analogia barata, um perigo à ordem pública. E, ao pesquisar sobre saúde (doenças), posso me informar melhor para uma vida, bem, que não dê esse tipo de notícia. Prevenção é o melhor tratamento &lt;em&gt;et cetera et cetera&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Decidi não levar o aviso a sério. A hipocondria seria particularmente preocupante no meu caso, já que minhas pautas preferenciais são... as psiquiátricas. Escrever sobre doenças é saudável! Minha melhor amiga, colega de profissão (e do blog), comentou que adora esse tipo de matéria. Você entrevista os especialistas e faz análise por tabela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tem funcionado bem para mim. É impressionante como entender sobre estado crítico ajuda a tratar ferimentos leves. Por exemplo: escrever sobre estresse, fobia social, depressão e paranóia foi ‘um santo remédio’ em momentos de, respectivamente, irritação, timidez, mau-humor e pulga atrás da orelha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas eis que fiz um diagnóstico (amador) no meio do expediente de uma terça-feira. Era uma matéria sobre Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH). A minha dispersão, que já foi tema de uma crônica anterior (e de um zilhão de piadinhas entre amigos), talvez não seja apenas uma característica peculiar de personalidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho seis dos nove sintomas de desatenção. (Que isso sirva de lição para um certo amigo que, sem ter nenhuma noção de psiquiatria, teima em diagnosticar meu autismo.) Mas será que tenho mesmo TDAH? Isso explicaria muita coisa, como as quatro vezes em que fui reprovado no exame de direção ("Ué, era conversão proibida ali?") e as quatro &lt;em&gt;mil &lt;/em&gt;vezes em que falaram comigo e só escutei o monólogo dos meus pensamentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cedo demais para saber. Eu, honestamente, acho que não é para tanto. Vou ao médico para me certificar de que é a minha única doença mental, como previam os agourentos, é hipocondria mesmo. E, para atestar minha sanidade psíquica no geral, vou prestar bastante atenção no diagnóstico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Leandro Quintanilha&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;(&lt;/span&gt;&lt;a href="mailto:leandroq@gmail.com"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;leandroq@gmail.com&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;)&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8057084-113677341994135180?l=minicertezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://minicertezas.blogspot.com/feeds/113677341994135180/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=8057084&amp;postID=113677341994135180' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/113677341994135180'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/113677341994135180'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://minicertezas.blogspot.com/2006/01/jornalismo-doentio.html' title='Jornalismo doentio'/><author><name>Minicertezas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702930388518627935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='05053455817178222281'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8057084.post-113565001611017692</id><published>2005-12-26T18:16:00.000-08:00</published><updated>2006-01-03T08:43:44.606-08:00</updated><title type='text'>Posso ajudar(-me)?</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Um amigo comentou que eu tenho um pé na auto-ajuda, por causa de uma peça que elogiei. Só então me dei conta de que o tal espetáculo tinha lá mesmo um pezinho na auto-ajuda. A peça, não eu, pensei. Espere aí: eu também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse amigo disse isso para me alfinetar. E posso dizer que senti (de leve) a picada. Mas, primeiro, preciso dizer que não gosto dessa expressão. Essa coisa de ter um pé em algum lugar. Só um pé. E o resto do corpo fora, para não se contaminar. É uma expressão muitíssimo preconceituosa, basta lembrar a versão original: ter um pé na cozinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o assunto aqui é o fato de eu ter, okay, um pé na auto-ajuda. Ou o fato de o meu amigo achar que isso seja uma deixa para alfinetação. Ou o fato de eu sentir a picada. Levemente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escrevo sobre comportamento e, por isso, muitas vezes livros de auto-ajuda são material de trabalho. A minha mesa, no jornal, está tomada de publicações do gênero. Tudo coisa de trabalho. Outro dia, no ônibus, uma colega me perguntou o que eu estava lendo. Desconversei, marcando a página: "Coisa de trabalho."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fato de ser assunto profissional, percebo, é às vezes um ótimo pretexto. Para ler - ou ao menos folhear - obras que eu jamais teria coragem de comprar numa livraria. Algumas, nem na internet: ficaria com vergonha de mim mesmo (a propósito, acho 'mim mesmo' uma redundância; acaso haveria mim outro?).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre acreditei que amor próprio seja um pré-requisito para a vida em sociedade. Quando vejo alguém numa situação de auto-abandono, não raro penso, indignado: “Mas ele não se ajuda!” Quem não se ama o suficiente fica sem energia para generosidade com os demais e se torna uma ameaça pública - pessoas com déficit de amor são perigosas. Mas... auto-ajuda ajuda?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depende. A má-fama dessas publicações não é de todo injusta. Há muita gente enriquecendo por aí com receitas, em tópicos, para felicidade amorosa e sucesso profissional. Como se a vida fosse um videocassete, que, com manual, fica fácil programar. Deveria haver auto-ajuda para selecionar auto-ajuda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Oportunismos à parte, o princípio que move a auto-ajuda é nobre: a busca por meios de se conhecer e se relacionar melhor. A filosofia, a psicanálise e as religiões lançam-se na mesma empreitada - com uma ressalva (ou agravante?): geralmente, sem simplificações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, e a arte! Outro dia chegou ao jornal um livro de auto-ajuda que reunia textos de gente como Machado de Assis e Clarice Lispector. A teoria do editor era de que, se apura a sensibilidade e expõe preconceitos, a literatura é, sim, um recurso para o que se chama hoje de ‘desenvolvimento pessoal’. Não pude discordar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu amigo que me alfinete. Pelo bem da humanidade (afinal, sou um ser social), decido que farei, sim, uso dos meios que eventualmente julgar necessários para ajudar a mim. Mesmo. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Leandro Quintanilha&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;(&lt;/span&gt;&lt;a href="mailto:leandroq@gmail.com"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;leandroq@gmail.com&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:85%;"&gt;P.S.: Enfim, o serviço. A peça que elogiei é &lt;em&gt;Parem de Falar Mal da Rotina&lt;/em&gt;, de Elisa Lucinda - salvo engano, agora em cartaz no Rio. E tal o livro que faz auto-ajuda da melhor literatura é &lt;em&gt;Valores para Viver&lt;/em&gt; (organização de Maria Isabel Borja e Márcio Vassalo, Ed. Guarda-Chuva, R$ 20).&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8057084-113565001611017692?l=minicertezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://minicertezas.blogspot.com/feeds/113565001611017692/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=8057084&amp;postID=113565001611017692' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/113565001611017692'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/113565001611017692'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://minicertezas.blogspot.com/2005/12/posso-ajudar-me.html' title='Posso ajudar(-me)?'/><author><name>Minicertezas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702930388518627935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='05053455817178222281'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8057084.post-113340703539946118</id><published>2005-11-30T19:14:00.000-08:00</published><updated>2005-12-02T12:36:17.196-08:00</updated><title type='text'>Vermelho Ferrari</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Minha avó tem 82 anos e vem, pobrezinha, acompanhando sem resignação a morte de primos, amigos, vizinhos - colegas de geração. Nos últimos anos, o tempo leva um a um. Como num filme de suspense, ela cogita, entre os octogenários sobreviventes, quem será a próxima vítima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na rua onde mora, a morte seguia mão-única como o fluxo dos carros, da esquerda para a direita. Vovó chegou a brincar com seu João, o vizinho da esquerda, que ele partiria antes dela. Mas a morte, fingindo que os esqueceu, pulou os dois e levou a vizinha da esquina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fico intrigado com esse sentimento contraditório de quem perde uma pessoa querida da mesma geração, uma tristeza aliviada. Como se a morte de um análogo representasse uma nova chance. Um renascimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só que, a cada velório, enterro, missa de sétimo dia, vovó renasce com mais medo. É dessas que respondem a verdade quando alguém pergunta como vai. Tem labirintite, osteoporose, diabete. E mais os efeitos colaterais dos medicamentos. E da interação entre eles. E dos efeitos colaterais dos medicamentos paliativos contra os efeitos colaterais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vovó também tem solidão. Saudade dos filhos que foram morar longe. Dos netos. Dos bisnetos cujo crescimento acompanha em recortes: Natal, Ano Novo, Dia das Mães, aniversário. O pequeno não andava na Páscoa e já corre em dezembro, como se tivesse sido sempre assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu me lembro de quando ela pintou os cabelos pela primeira vez. Tinha sessenta e poucos. E foi engraçado porque ficou dez anos mais jovem do que parecia nas fotos de dez anos antes. Aí uma tia brincou de enganá-la. Comprou um batom: “É clarinho, mãe.” E era, de fato, nos primeiros minutos. Depois, ficava vermelho Ferrari. Todo mundo adorou saber que o efeito durava 24 horas. Até vovó, posso apostar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi a única vez que usou aquele batom. Achava que estava velha demais. Já se passaram uns 20 anos - um quarto do que viveu até hoje, né? A morte finge que a esquece, mas ela não se esquece da morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Leandro Quintanilha&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;(&lt;/span&gt;&lt;a href="mailto:minicertezas@ibest.com.br"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;minicertezas@ibest.com.br&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;)&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;P.S.: Desculpa, Paty. Achei que minha avozinha também merecia uma crônica. ;-)&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8057084-113340703539946118?l=minicertezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://minicertezas.blogspot.com/feeds/113340703539946118/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=8057084&amp;postID=113340703539946118' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/113340703539946118'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/113340703539946118'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://minicertezas.blogspot.com/2005/11/vermelho-ferrari.html' title='Vermelho Ferrari'/><author><name>Minicertezas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702930388518627935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='05053455817178222281'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8057084.post-113271259999985492</id><published>2005-11-22T18:18:00.000-08:00</published><updated>2005-11-22T18:32:28.696-08:00</updated><title type='text'>Gente como a gente</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt;A minha turma na adolescência, puxa, tenho até vergonha de contar: eram os riquinhos de &lt;em&gt;Barrados no Baile&lt;/em&gt;. Hoje, quando reencontro os gêmeos(!) Brenda e Brendon Walsh na mudança dos canais, finjo que não reconheço e sigo adiante. Em dez anos, eu amadureci razoavelmente a ponto de deixar de ser tão bobinho. Eles, na reprise, continuam os mesmos. O Brendon com aquele topete...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na faculdade, os meus amigos do peito (e o primeiro namorado) tinham seis fortes concorrentes: Rachel, Chandler, Monica, Joey, Ross e Phoebe, de&lt;em&gt; Friends&lt;/em&gt;. E minha mãe jamais entenderia por que deixei de ir a tantas festas de família por causa de &lt;em&gt;Seinfeld&lt;/em&gt; (todos os dias, em reprise vitalícia) e &lt;em&gt;Ally McBeal&lt;/em&gt;, a das boas temporadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembrei-me de tudo isso hoje de manhã, quando, ao sair de uma entrevista, preferi tomar um ônibus a chamar o carro do jornal. Não, não é masoquismo. É que, no ônibus, eu posso ler e, no carro, bem, isso seria quase uma grosseria. O motorista é sempre um conhecido, que precisa desabafar sobre o trânsito. Ou com quem devo falar sobre a meteorologia para preencher o silêncio da nossa falta de intimidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por sorte, São Paulo é uma rica fonte de mudanças de tempo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas hoje eu troquei o “será que vai chover?” pela privacidade (em público) do ônibus coletivo. E um livro de contos. Troquei um humano só por um ‘pacote’ com mais de vinte, o que seria um ótimo negócio, se gente fosse contável assim por unidade &amp;shy;- e, ah, se essa minha turma toda não fosse de mentirinha. Troquei o real pela sua representação, multiplicada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às vezes, sinto-me culpado por preterir assim os humanos de carne e osso. Quantas vezes fui ao cinema sem avisar ninguém! Para ficar a sós com a ficção... É que a arte é tão verossímil e a vida soa, por vezes, como uma história mal-contada. A minha, inclusive. Mais fácil me emocionar com animação de massinha do que com o &lt;em&gt;Jornal Nacional&lt;/em&gt; (raiva não conta, tá?).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso, ouso dizer que os personagens são gente, sim. Do jeito deles, fictício, é verdade, mas gente. Melhor: gente com edição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, no correr dos anos, os personagens tem me ajudado a apurar minha sensibilidade. A ponto de (quem diria?) preteri-los, cada vez mais, em favor dos humanos de verdade. Estranho, porque, convenhamos, somos ‘personagens’ contraditórios e mal-concebidos numa produção de baixo orçamento. O que, só percebo agora, também tem seu encanto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, nesta temporada tenho visto menos televisão. Talvez por isso Brendon Walsh e seu topetezinho 1994 tenham perdido seu charme no meu zapear 2005. Começo a apreciar gente de verdade. Ao vivo, em versão integral.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Leandro Quintanilha&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;(&lt;/span&gt;&lt;a href="mailto:minicertezas@ibest.com.br"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;minicertezas@ibest.com.br&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;)&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8057084-113271259999985492?l=minicertezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://minicertezas.blogspot.com/feeds/113271259999985492/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=8057084&amp;postID=113271259999985492' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/113271259999985492'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/113271259999985492'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://minicertezas.blogspot.com/2005/11/gente-como-gente.html' title='Gente como a gente'/><author><name>Minicertezas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702930388518627935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='05053455817178222281'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8057084.post-113236438777211815</id><published>2005-11-18T17:36:00.000-08:00</published><updated>2005-11-18T17:39:47.790-08:00</updated><title type='text'>Vaidade aos 83</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Sentada no mesmo lugar de sempre no sofá de sua casa, encontrei minha avó cheia de bijouterias. Nada estranho fora o fato de ela nunca ter usado algo além da aliança até os 83 anos. Começou com um anel, que passou a dois, depois vieram as pulseiras e o cordão. Até as unhas da mão, que antes recebiam no máximo base incolor, pintou com esmalte café. Tudo em menos de um mês. “Não sabia que era bom assim”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha avó nasceu na roça, em uma família com seis irmãs. Foi a escolhida entre as meninas para ajudar o pai na fazenda. Tocava gado, tirava leite, cuidava dos porcos. Lembra que as irmãs costuravam e ajudavam a mãe na cozinha. Nunca teve tempo para essas tarefas. Quando se casou, foi o marido quem a ensinou a fazer arroz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois vieram os filhos, já na cidade. Foram sete. Criou cinco, ficou viúva e nos últimos anos se tornou quase filha dos filhos. Todos esse tempo sem anéis. Será que só agora, quando os braços já não ajudam a pentear o cabelo, ela descobriu a vaidade?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiquei pensando na infinidade de sensações que deixamos de viver porque não esbarramos com o acaso por aí. Um acaso que muda tudo ou apenas acrescenta um detalhe. Para minha avó, a casualidade foi a vendedora que sempre lhe mostrou calcinhas e sutiãs insistir para que experimentasse um anel de seu mostruário. E não é que ela gostou?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que dá mais medo é que nessas coisas a gente não manda. Com o desconhecido se esbarra por descuido, não dá para sair procurando. E ele pode ser a graça que faltava em nossas vidas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Patrícia Pereira&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;(&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="mailto:minicertezas@ibest.com.br"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;minicertezas@ibest.com.br&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;)&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8057084-113236438777211815?l=minicertezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://minicertezas.blogspot.com/feeds/113236438777211815/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=8057084&amp;postID=113236438777211815' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/113236438777211815'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/113236438777211815'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://minicertezas.blogspot.com/2005/11/vaidade-aos-83.html' title='Vaidade aos 83'/><author><name>Minicertezas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702930388518627935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='05053455817178222281'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8057084.post-113217275745014750</id><published>2005-11-16T12:16:00.000-08:00</published><updated>2005-11-16T12:31:25.446-08:00</updated><title type='text'>Distintas distinções</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. Desculpe-me por começar com um provérbio, mas gosto desse particularmente desse pensamento, por ser tão simples quanto preciso. É este, perceba, o princípio básico da razão: comparar e distinguir uma coisa da outra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho lido sobre diferenças conceituais interessantes, como entre doença e mal-estar, dor e sofrimento, desejo e vontade. Um resuminho: doença, dor e desejo são fatos que brotam do corpo ou do inconsciente e podem fugir do nosso controle. Mal-estar, sofrimento e vontade, muitas vezes, a gente consegue administrar. E saber disso, perceber essa diferença, é o primeiro passo para consegui-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas há outras tantas oposições...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enxergo o amor à primeira vista, por exemplo, como mera auto-sugestão. Quando alguém se declara precipitadamente 'apaixonado' por mim (tá, não acontece muito), fico logo ofendido. Sinto-me usado, sabe? Como ousam me amar sem se dar ao trabalho de me conhecer? Não é amor, não. Ao menos, não por mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesses casos, a despeito do que a minha vaidade gostaria, tenho a nítida consciência de que sou apenas um instrumento para se dar vazão a um sentimento que não tem nada a ver comigo. É um amor intransitivo, que faz de mim recipiente. Descartável, claro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais uma: não tenho religião porque, como o poeta, não me conformo em acreditar - quero saber. E, às vezes, fico irritado com quem acredita que sabe (e, na verdade, não sabe que apenas acredita). Ainda bem que logo me dou conta de que essa minha pretensa sabedoria é, preciso ser honesto, uma baita arrogância. Outra oposição, o importante é distinguir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há ainda a manjada oposição entre ser e parecer, que, 'aparentemente', nem requer maiores explicações. Intriga-me mais a diferença entre ser (condição definitiva) e estar (condição passageira) que muitos idiomas nem contemplam. Como não? Ser doente, estar doente; ser feliz, estar feliz... é tudo muitíssimo diferente. Se os budistas tiverem razão, com a sua teoria da impermanência, nada de fato é - tudo está. Ou esteve.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, por fim, a fundamental diferença entre distinguir (sim, o tema da crônica) e rotular, simplificação estereotipada, preconceituosa e generalizante. Distingue-se para entender, rotula-se quando não se consegue - ou não se deseja - fazê-lo. Não se confunda.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Leandro Quintanilha&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;(&lt;/span&gt;&lt;a href="mailto:minicertezas@ibest.com.br"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;minicertezas@ibest.com.br&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;)&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8057084-113217275745014750?l=minicertezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://minicertezas.blogspot.com/feeds/113217275745014750/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=8057084&amp;postID=113217275745014750' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/113217275745014750'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/113217275745014750'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://minicertezas.blogspot.com/2005/11/distintas-distines.html' title='Distintas distinções'/><author><name>Minicertezas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702930388518627935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='05053455817178222281'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8057084.post-113174617836893561</id><published>2005-11-11T13:54:00.000-08:00</published><updated>2005-11-11T13:56:18.380-08:00</updated><title type='text'>De véu e grinalda</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Outro dia fui ao casamento de uma amiga. De véu e grinalda, noivo esperando no altar - que no caso não era altar porque a cerimônia era judaica. No lugar do padre, o rabino, mas estava tudo lá: o bolo, as alianças, os futuros filhos, os almoços de domingo na casa dos pais, as férias na praia, a vida equilibrada de quem escolheu seguir a fórmula mágica da tradição. Eu, que nunca me imaginei em um vestido de noiva, senti uma pontinha de inveja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na hora não entendi: será que apesar de negar cultivo um desejo secreto de entrar na igreja ao som de Ave Maria? Os anos passam, a rebeldia da adolescência vai nos deixando, nos rendemos às convenções e vivemos “como nossos pais”, seria isso? Passei alguns dias encucada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi quando me lembrei de uma outra idéia que dia desses amanheceu comigo. Pensei que a vida teria sido muito melhor se tivesse nascido na roça. Nada disso de escolher profissão e o rumo certo para ser feliz. Eu seria uma “dona gorda”, que acordaria bem cedinho com a única preocupação de fazer a rosca e o pão de queijo e já deixar o fogão à lenha aceso para o banho quente de serpentina. Tudo bem simples, com o alívio de ter nascido com o destino traçado e não precisar questionar o próprio rumo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desvendado o segredo. Essa estranha sensação de de repente achar que combino com vestido de noiva é só uma ponta de preguiça de ter que criar caminhos sem modelos testados para ser um pouquinho do que quero. A confusão da vida é tanta que às vezes a gente até se embaralha e confunde a vontade de sossego com padrões que não nos servem.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;E, pensando bem, essa visão de caminhos prontos é muito idealizada. A dona roceira deve ter outras preocupações e a benção do padre não é a entrega de um roteiro fechado, com todas as cenas já escritas. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Patrícia Pereira&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;(&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="mailto:minicertezas@ibest.com.br"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;minicertezas@ibest.com.br&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;)&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8057084-113174617836893561?l=minicertezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://minicertezas.blogspot.com/feeds/113174617836893561/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=8057084&amp;postID=113174617836893561' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/113174617836893561'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/113174617836893561'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://minicertezas.blogspot.com/2005/11/de-vu-e-grinalda.html' title='De véu e grinalda'/><author><name>Minicertezas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702930388518627935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='05053455817178222281'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8057084.post-113132951414788425</id><published>2005-11-06T18:10:00.000-08:00</published><updated>2005-11-06T18:23:45.890-08:00</updated><title type='text'>O beijo roubado</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Eu me lembro com carinho do meu primeiro beijaço. Há dois anos, estava de visita em São Paulo quando o movimento gay organizou o protesto num shopping center. Era uma espécie de retaliação positiva à censura que um casal sofrera dias antes &amp;shy;- os rapazes se beijaram na escada rolante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui assistir ao protesto, claro. Uma questão de cidadania, como reunião de condomínio - só que legal. Até o shopping aderiu: contratou um DJ para animar o evento. Lembro-me da música que tocava quando cheguei (com suave taquicardia) à praça de alimentação. “Tem que valer, valer viver/ Tem que viver pra valer...”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As câmeras de tevê estavam posicionadas, os casais também. Quinze ou vinte deles. Quando tudo começou, era preciso esticar o pescoço para ver alguma coisa. E eu vi. Beijo gay, beijo lésbico, beijo hétero, beijos plurais em rede nacional de televisão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só participei como observador... Mas estava lá e era como se aqueles beijos fossem todos meus. Sempre prometi a mim mesmo que o mundo ficaria melhor. Hoje, bem ou mal, os negros são livres, as mulheres votam. Gays hão de poder se beijar sem se cercar de paredes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pouco depois, eu me mudei para São Paulo. E, no bairro onde moro, gays até podem, com alguma coragem. E muitos têm. Mãos dadas, beijinhos, afagos - as calçadas são lindas aqui. Eu só não sei se devo passar reto, emitindo a mensagem de que acho tudo absolutamente normal, ou se devo sorrir, para demonstrar a minha franca e desnecessária aprovação. Indeciso, acabo passando reto e sorrindo, sim, só que por dentro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aos poucos, assisto ao que chamo de lenta e progressiva multiplicação dos beijos (gays). Primeiro, nos guetos; depois, no cinema alternativo; em seguida, na tevê a cabo e nas ruas de determinados bairros das grandes cidades - como o meu!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o beijo que ia rolar no último capítulo da novela - na tevê aberta! -, uau, isso seria inédito. E ser inédito é o primeiro passo para ser banal, olha que máximo. Tudo o que eu queria é passar pelos casais da vizinhança (que eu adoro, são lindos) e não percebê-los.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na sexta, na hora da novela, lá estava eu, entre queridos, em frente à tevê, com a minha suave taquicardia. O coração acelerou-se em vão: censuraram o beijo gay. Assisti até o final, pensado que o corte abrupto, bem no momento em que os rostos apaixonados se aproximavam, fosse um mero recurso dramático para prolongar a expectativa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas escreveram ‘fim’ sem terminar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, eu fui para a cama pesaroso, nutrindo uma inusitada autopiedade, como se o beijo que não houve na ficção fosse em mim. Como se eu tivesse caprichado no perfume, ensaiado falas diante do espelho, feito joguinhos de olhares e sorrisos... e levado um belo fora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiquei triste também pelos pedestres corajosos das redondezas. Eles mereciam, poxa. E ainda mais pelos que moram em outros lugares e circulam a uma distância segura de seus amados ou escondidos dentro de si. Triste por um mundo em que tantos idiotas têm poder de decisão. Entrariam para a história; preferiram adiá-la. É tão cômodo ser imbecil...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Queria entender, mas tenho medo de tentar fazê-lo e sentir raiva. Mais raiva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por sorte, naquela mesma noite, houve beijos nada fictícios. Cercados de paredes, é verdade. Mas com visibilidade suficiente, do lado de dentro, para renovar minha esperança. Mesmo que o mundo não queira nos enxergar, eu faço questão de vê-lo melhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Leandro Quintanilha&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;(&lt;/span&gt;&lt;a href="mailto:minicertezas@ibest.com.br"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;minicertezas@ibest.com.br&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;)&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8057084-113132951414788425?l=minicertezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://minicertezas.blogspot.com/feeds/113132951414788425/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=8057084&amp;postID=113132951414788425' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/113132951414788425'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/113132951414788425'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://minicertezas.blogspot.com/2005/11/o-beijo-roubado.html' title='O beijo roubado'/><author><name>Minicertezas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702930388518627935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='05053455817178222281'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8057084.post-112845123662889383</id><published>2005-10-04T11:39:00.000-07:00</published><updated>2005-10-04T11:40:36.636-07:00</updated><title type='text'>Pique, trabalho e cinema</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Sempre fui tímida. Quando era criança, demorava a me entregar às brincadeiras. Primeiro ficava só olhando, fingia não ter vontade de pular corda ou ânimo de correr no pique-esconde para ocultar a falta de coragem de entrar no meio dos outros meninos. Depois chegava mais perto. Dava dois pulinhos, só para ver como era, ou sugeria lugares de esconderijo. Por fim, me entregava. Mas aí era a hora de ir embora – logo no melhor da brincadeira! – e eu implorava aos meus pais por mais 15 minutinhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem sei do que tinha medo. Talvez de pisar na corda e tropeçar logo no primeiro pulo ou de não encontrar um bom refúgio a tempo. Outras vezes o time estava completo e eu não queria atrapalhar. Ou me achava pequena demais – e depois grande demais - para mergulhar na piscina e disputar os seis metros estilo ‘cachorrinho’. Essas preocupações bobas, que se resolviam sem nenhum mistério na hora em que eu decidia participar de verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro dia me peguei espiando meninos, garotos adultos que nem conheço, e tive uma vontade enorme de estar entre eles. É que quando crescemos, trocamos a corda pelo namorado, o pique pelo trabalho. Mas, no fundo, tudo o que procuramos é um meio de viver com a sensação de estar no melhor da brincadeira. E de novo eu, com os velhos medos, resistia a me entregar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ficava pelas beiradas. Fazendo um trabalho mais ou menos parecido com o que eu queria fazer. Um próximo meio distante, mas sem riscos de tropeçar nas contas no final do mês.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passei meses me remoendo. Pesando os prós e os contras de deixar meu cantinho seguro e tentar me juntar aos garotos adultos que faziam o que eu queria estar fazendo. Perdi o sono, tentei encontrar motivos para o sim ou me convencer do não. Até que um dia quis ir ao cinema e não dava por causa de meu horário no trabalho. Deixei o emprego. Racional assim mesmo, como são nossos medos – e nossos sonhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Patrícia Pereira&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;(&lt;a href="mailto:minicertezas@ibest.com.br"&gt;minicertezas@ibest.com.br&lt;/a&gt;)&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8057084-112845123662889383?l=minicertezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://minicertezas.blogspot.com/feeds/112845123662889383/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=8057084&amp;postID=112845123662889383' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/112845123662889383'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/112845123662889383'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://minicertezas.blogspot.com/2005/10/pique-trabalho-e-cinema.html' title='Pique, trabalho e cinema'/><author><name>Minicertezas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702930388518627935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='05053455817178222281'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8057084.post-112787850487989797</id><published>2005-09-27T20:33:00.000-07:00</published><updated>2005-09-28T09:12:49.003-07:00</updated><title type='text'>Ao acaso</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Saí da casa dos meus pais. No trabalho, o autoritarismo acabou. Nem tenho religião... Poderia dizer que mando em mim, se eu me obedecesse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando era adolescente, desisti de estudar num colégio famoso porque se chamava Disciplina. Palavra feia, especialmente para uma geração pós-ditadura. Mais velho, fiz promessas para deuses e santos – nos quais já não cria – só para escapar do serviço militar. Deu certo. E, veja só: reforcei a minha fé no acaso. A casualidade me encanta, só pode ter sido ela a minha heroína. É o oposto da disciplina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Oficialmente, fui dispensado por ter pés chatos (sem complexos). Mas eles são planos por conta combinação aleatória de genes de duas famílias com dezenas de pares de pés normais. Não posso calçar coturnos, que beleza. O acaso me livrou da disciplina. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;Eu não tenho seguro de vida, mas aposto na Mega-Sena. Por causa da minha fé no acaso. Ele contraria as regras (a disciplina) e premia apostadores para que enriqueçam longe dos rigores do trabalho (a disciplina). Acredito no improvável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Preciso admitir que, às vezes, até gostaria de ter mais disciplina para atividades triviais, como a musculação. Mas sei que aceitaria de bom grado qualquer hipertrofia muscular que por ventura brotasse do meu sedentarismo. Reclamo também da falta de disciplina para escrever, outra bobagem - a minha inspiração vem do ócio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pode parecer, mas isto aqui não é uma apologia ao desleixo, não. Porque, no fim, vira auto-abandono, coisa muito triste. Faço planos, claro, e me esforço para cumpri-los. Mas, se há sorvete de chocolate branco no freezer, eu, digamos, flexibilizo a dieta. E viva o metabolismo rápido. Que o acaso impeça a punição do prazer. E que o sacrifício recuse a recompensa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque, se a disciplina é justa, o acaso faz melhor: opta pela generosidade. Acho uma mesquinharia a vida exigir merecimento.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Leandro Quintanilha&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;(&lt;/span&gt;&lt;a href="mailto:minicertezas@blogspot.com"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;minicertezas@blogspot.com&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;)&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8057084-112787850487989797?l=minicertezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://minicertezas.blogspot.com/feeds/112787850487989797/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=8057084&amp;postID=112787850487989797' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/112787850487989797'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/112787850487989797'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://minicertezas.blogspot.com/2005/09/ao-acaso.html' title='Ao acaso'/><author><name>Minicertezas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702930388518627935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='05053455817178222281'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8057084.post-112709675789052796</id><published>2005-09-18T19:22:00.000-07:00</published><updated>2005-09-20T17:03:22.993-07:00</updated><title type='text'>Aqui e em algum outro lugar</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Acabo de aprender um termo curioso: presenteísmo. Que significa estar, não estando. Estar de corpo presente - e só com o corpo presente. Puxa, a identificação foi imediata. Meu corpo já esteve em muitos lugares aos quais a minha alma se recusou a comparecer. Agora, por exemplo, estou (não estando) no plantão de domingo. A minha função aqui é esperar até a meia-noite para ver se algo acontece. Ou esperar até lá, torcendo para que não aconteça nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já estive (sem estar) na aula de francês. O professor, um belga simpaticíssimo, gostava muito do livro, mas eu queria ir para França. Quando era criança, nunca estava nos estádios de futebol aos quais ia com meu pai e meus primos. Um dia alguém me perguntou o placar e eu só sabia sobre o desenho das nuvens. Por sorte, um primo, concentrado na pipoca, não sabia nem quem estava jogando. A gente ia para acompanhar. A família, não a partida. A gente ia sem a própria companhia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estive não estando em vários natais, aniversários, casamentos e batizados. Não compareci até a alguns namoricos. Entre os amigos, a distração parece ser a minha característica que mais marca presença. Moro em São Paulo, mas a alma está de mudança para o Rio. Já estive sem estar em looongas viagens de ônibus, chegando muito antes de mim ao destino. Ou ficando no ponto de partida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quase não estive na minha adolescência, o futuro parecia mais acolhedor. E agora fico tentando me trazer de volta da infância.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Li uma vez (e concordei com) uma frase mais ou menos assim: a falta de concentração cansa mais. É verdade (já pensou nisso?), porque estar não estando é estar em ao menos dois lugares ao mesmo tempo. Exaustivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os budistas falam muito sobre manter o foco no presente. Faz sentido: vive-se aquilo em que se presta atenção. A gente se ausenta e a vida vai passando. "Saiu para o vento, perdeu o assento", diz o ditado. Ausente, a gente perde o assento das horas. Tenho de aprender a fazer companhia para o meu corpo - ou fazer com que ele saia para me encontrar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E se a minha alma viajasse sozinha? Bem, pelo que entendo, isso só aconteceria com a morte. E não tenho certeza se, nesta nova condição, eu saberia aonde ir. Mas talvez fosse divertido: pela primeira vez, o contrário. Não estar, estando. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Leandro Quintanilha&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;(&lt;/span&gt;&lt;a href="mailto:minicertezas@ibest.com.br"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;minicertezas@ibest.com.br&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;)&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8057084-112709675789052796?l=minicertezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://minicertezas.blogspot.com/feeds/112709675789052796/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=8057084&amp;postID=112709675789052796' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/112709675789052796'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8057084/posts/default/112709675789052796'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://minicertezas.blogspot.com/2005/09/aqui-e-em-algum-outro-lugar.html' title='Aqui e em algum outro lugar'/><author><name>Minicertezas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15702930388518627935</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='05053455817178222281'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry></feed>