Minicertezas

Tuesday, June 21, 2005

Caros leitores,

Estou em férias no trabalho e, por motivos práticos - além de um pouquinho de preguiça -, proclamo férias aqui no blog também.

Volto a escrever no dia 18 de julho, revigorado (tomara). A Paty deve voltar a publicar suas crônicas até lá (né, amiga?).

Apareçam. ;-)

Leandro Q.

Monday, June 13, 2005

O desfecho perfeito

Festa animada: bebidas, aperitivos e parentes por todos os lados. O banheiro, sempre ocupado. Tento de novo. E de novo. E de novo. Refrigerante demais, eu sei, era dietético. Tento mais uma vez e, ups, perdão, tia. Não sabia que tinha gente.

Péssima combinação ­– volto para a festa ainda apertado e com uma vontade quase incontrolável de rir. Com peninha da minha tia-avó, que certamente tinha ficado superconstrangida. Quando a vejo mais tarde, ela sorri com seu rosto moreno.

Eu sorrio de volta, mandando meus recados: fique tranqüila, não vi muita coisa; ah, todo mundo faz xixi, tia; juro que não conto para ninguém (opa, parece que não cumpri a promessa, né?).



Meu pai telefonou ontem para dar a notícia.



Festa animada (outra, outra festa): bebidas, aperitivos, parentes e amigos por todos os lados. Gente da sua cidade, trazendo consigo lembranças tão doces. Gente que não via desde...

Perigosa combinação ­– coração apertado e uma vontade quase incontrolável de sorrir. O mundo gira, ela ensaia um desmaio. Tragam água, não é melhor chamar um médico? Mas minha tia-avó é mulher forte. Recompõe-se logo, ajeita cuidadosamente o vestido.

E sorri com o rosto moreno, mandando seus recados: está tudo bem; sirvam a salada.



Cinco minutos depois, ela morreu. Deixando todo mundo assim, confuso. Um pouco triste, um pouco feliz.

Eu sempre vi a morte como uma interrupção abrupta, um desfecho sem desfecho. E minha tia-avó morre de felicidade...

Agora, eu me flagro com esse meu novo sorriso. Um sorriso pasmo, sem recados. No fim, que vingança boa, foi ela quem me deixou superconstrangido.



Leandro Quintanilha

(minicertezas@ibest.com.br)