Não quero dormir, não quero acordar
Li em algum lugar que pode ser hipoglicemia. O fato de eu acordar meio triste todas as manhãs. Ou quase todas. A pessoa fica sem se alimentar por horas (as horas de sono) e acorda melancólica. Normal, dizem os médicos. Se chupasse uma balinha no meio da noite, talvez salvasse meu humor matinal. Mas ficaria, provavelmente, cheio de cáries.
Tenho acordado meio deprê ultimamente. E sem nenhuma razão aparente. Então, culpo a falta de açúcar. No decorrer do dia, fico melhor, volto a ser eu mesmo. Ao cair da noite, que surpresa, viro um otimista cafona. Isto é, uma hipérbole de mim mesmo. Será porque abuso nos doces? (Tenho mania de repetir a sobremesa. E, na seqüência, repetir a repetição.)
Por isso, gosto de dormir tarde. À noite, eu sou feliz.
Queria que fosse ao contrário. Acordasse cheio de entusiasmo, com energia para cantar no chuveiro, ir à academia, sorrir para as pessoas, trabalhar, viver. E fosse murchando no decorrer do dia. Ficaria introspectivo à tarde. À noite, finalmente, eu me recolheria, para adormecer com a minha dor.
Um personagem de um filme disse que se tem de acordar todos os dias como se fosse de propósito. Ah, queria eu acordar com essa convicção... Mas aprendi a ficar enrolando na cama depois que o despertador toca. Para tomar coragem. Vinte e cinco minutos depois, levanto-me ainda covarde, só pela urgência do atraso.
Nesta noite, vou programar o despertador para tocar às quatro da manhã e comer um docinho.
Leandro Quintanilha
(minicertezas@ibest.com.br)
