Sinto muito pelo brigadeiro
Nós, adultos (aos 25, ainda não se sinto completamente confortável com esta condição), temos muito o que aprender com a psicologia infantil. Percebi isso depois de escrever algumas matérias sobre relacionamento entre pais e crianças e delas entre si.
Não que os pequenos sejam especialmente sábios. Nada disso: nós, adultos (já vou me acostumar, prometo), é que somos, ao menos na maior parte do tempo, emocionalmente infantis. Repare: cumprimentamos secamente quando ‘ficamos de mau’ e denunciamos ao chefe o que há algumas décadas contaríamos para a mamãe.
A gente (cá estou novamente na categoria adulta), tal como eles, às vezes derruba o tabuleiro no meio da partida simplesmente porque não sabe brincar. Os donos da bola viram donos de oportunidades de emprego. Acham que mandam no jogo – e, por vezes, mandam mesmo; crianças crescidas esquecem-se de que podem fazer bolas de meia.
Uma especialista em psicologia infantil disse-me que a melhor maneira de se acalmar uma criança é demonstrar empatia pelos seus sentimentos. Você não precisa dar o carrinho-que-não-pode-comprar-agora-quem-sabe-no-natal para evitar birra, basta explicar a situação e, importante, demonstrar que compreende a frustração do miniconsumidor por não levar o brinquedo.
E olha só: empatia funciona também com gente grande. Adulto, tipo eu (veja que progresso).
Tenho testado em quem já pode dirigir. As crianças têm razão em exigi-la – a empatia ampara e conforta, como colo de mãe. Mesmo que o brigadeiro fique para depois do jantar, é preciso que saibam, entendam e respeitem o quanto é chato, tão chato, não poder comê-lo imediatamente.
Se 5 ou 25, não importa (puxa, e no final não importa), a gente quer mesmo é ser compreendido. Porque a compreensão, em si, é quase tão doce quanto o doce.
E satisfaz sem estragar o apetite.
Leandro Quintanilha
(minicertezas@ibest.com.br)
