Trégua
Outro dia, alguém me disse que tenho escrito coisas tristes. Engraçado, porque eu havia me dito mais ou menos a mesma coisa, mais ou menos no mesmo dia. Tentei me justificar (comigo mesmo), argumentando que aquela melancolia não era minha. Era um mal-entendido, fruto da minha velha dificuldade de encontrar as palavras certas.
Sou um otimista pouco fluente. E só.
Okay, existe uma ínfima possibilidade de eu estar tentando me enganar. Justo eu que abomino o mau humor. Que considero pessimismo falta de educação. Sim, porque a vida é dura e, como profetiza a canção, não poupa ninguém. E, às vezes, a esperança é o único meio de se prosseguir. Às vezes, não: quase sempre (ops, estou sendo melancólico outra vez? – peço perdão). Quero dizer que amargura contagia e envenena. E ninguém tem o direito de tornar essa jornada mais difícil para os demais. Tem?
Não nos neguemos, contudo, nossa cota de desabafo. Quando a gente compartilha dor, faz doer um pouquinho mais a dor do outro. Mas é esse alívio fugidio, paliativo, que faz a esperança persistir. E é o meio de comunicarmos ao outro o desejo de sermos comunicados sobre a nossa insatisfação. Como se precisássemos de um mensageiro externo para dizer o que já sabemos a ponto de falar (mas não de ouvir).
Então, não vou me comprometer a calar minha dorzinha. Não posso. Façamos, então, um acordo: vou falar mais sobre minha crença na vida, meu entusiasmo por desvendar esta experiência incerta. E aí você me comunica disso também, tá?
Estamos combinados.
Leandro Quintanilha
(minicertezas@ibest.com.br)
