Da minha conta
Fiz o cálculo. Se eu viver até os 80 anos, o que pode ser considerado um bom índice de longevidade, já terei gasto (aproveitado? desperdiçado?) 32% da minha existência. Quase um terço, aos 26, veja só. E pensar que nem gosto de olhar as horas quando estou atrasado...
O pior é que nem sei bem o que espero dos 68% restantes: o que quero da vida está para xis. Mais assombrosa ainda é idéia de posso nem viver tudo isso. Ou posso viver mais, vai. Bem mais. Há alguns meses, li uma entrevista de um cientista gringo/maluco que afirmava: confirmados todos os avanços científicos em andamento, quem tem hoje menos de 60 anos poderia chegar aos mil.
Isso mesmo: mil anos de idade, numa mesma encarnação. Imagino eu que, durante esse milênio de longevidade, novos tratamentos ainda mais surpeendentes viriam à tona - seria a morte da morte.
Mas, tá, ainda é cedo para acreditar no doutor eternidade aí. Pode ser que eu dê o braço a torcer no meu aniversário de 500 anos (desde que, claro, uma virtual artrite o permita). De volta à Terra, 80 anos são hoje uma estimativa razoável, otimista-realista. 80, então. Bem, 54 a partir daqui.
O saldo é que, enquanto a gente se prepara, se decide, busca coragem... o tempo vai passando. Um dia você faz uma regrinha de três e, que susto, já se foram 32%.
Até aqui, sendo otimista-realista, eu só fiz uns 10% das coisas bacanas que pretendia. Estou com déficit de vida. De 22%. Matemática é uma ciência desumana... Mas e você: se 80 anos é tudo o que vai viver, o que se passou até agora está para quanto? Desculpa perguntar.
Leandro Quintanilha
(leandroq@gmail.com)
